Brasil

04/06/2017 11:34

Coordenador da Defesa Civil ordena saída de venezuelanos de abrigo em RR: 'aqui não é a Venezuela, é o Brasil, temos leis'

coordenador da Defesa Civil coronel Doriedson Ribeiro deu neste sábado (3) um prazo de dois dias para que venezuelanos não-índios deixem o abrigo improvisado na zona Oeste de Boa Vista. A regra é válida para homens que estão há mais de 15 dias no local.

Muitos venezuelanos alegam não ter para onde ir. Entretanto, Ribeiro, que também é comandante do Corpo de Bombeiros, foi enfático ao dar a ordem.

Em um encontro neste sábado com os venezuelanos, o coronel pergunta a um refugiado se ele entende estar no abrigo por que o governo estadual deixou.

"Você entende que você está qui porque nós deixamos que você ficasse? Aqui tem regras. Eu vou vir pra cá e aqui dentro tem regras, você entendeu? Eu não quero nenhum de vocês desobedecendo as regras. Aqui é para as crianças e para as mulheres. Aqui não é a Venezuela, aqui é o Brasil e nós aqui temos leis", afirmou o coordenador.

Homens sem mulheres e filhos no Brasil devem deixar o alojamento na segunda-feira (5). O coronel Doriedson havia informado nessa sexta-feira (2) que todos os venezuelanos não-índios iriam sair do abrigo.

Em abril deste ano, o governo estadual anunciou que ia continuar oferecendo apoio e abrigo aos venezuelanos no estado 'por tempo indeterminado'.

 

“Temos um prazo de 15 dias para os não-índios deixarem o abrigo. O local foi montado para atender crianças mais vulneráveis, que são as que estavam na rua e também os indígenas Warao. Os homens [não-índios] que estão solteiros e com documentação regular podem procurar emprego ou outro local onde possam ficar”, frisou em entrevista.

 

Levantamento será feito para saber quantos devem deixar abrigo

De acordo com ele, há venezuelanos que estão desde dezembro no abrigo, se tornando um prazo longo para se regularizem no país. “O prazo de permanência são de 15 dias. As pessoas acabam morando”, disse.

O coronel informou que na segunda será feita uma reavaliação para saber o número de venezuelanos não-índios que devem deixar o alojamento.

“Algumas pessoas chegaram agora, mas quem está há mais de 15 dias tem de sair. Entorno de 15 e 20 homens devem deixar o local. Eles estão em condições de trabalhar”, afirmou, citando que a ONU orientou que no abrigo os índios e não-índios não devem ficar juntos.

“Estamos colocando em prática, inclusive temos um grupo fazendo um estudo para fazer um trabalho com outro abrigo em Pacaraima [fronteira com a Venezuela] para seguir o padrão da ONU, que irá nos ajudar”, explica.

 

Fraternidade diz que clima é tenso em abrigo

Segundo irmã Clara, da Federação Humanitária Internacional (Fraternidade), a entidade está no abrigo há sete meses levando ajuda aos refugidos da Venezuela.

"Chegamos em dezembro aqui [abrigo]. Acolhemos indígenas e não-indígenas e essa convivência entre eles sempre gerou conflitos. Eles já trazem essa tensão da Venezuela, e ficamos gerenciando e pacificando esse clima", acentuou.

Segundo ela, os não-índios não compreendem o motivo de não ser dado prazo de saída para os índios Warao.

"O indígenas estão em outra condição social: eles não vêm para o Brasil com o mesmo objetivo do não-índio, que é arrumar trabalho. Cerca de 80% dos abrigados são índios. E a conviência entre índios e não-índios é desastrosa. Mas não vamos nos eximir em ajudar todos", sustentou.

Ainda de acordo com irmã Clara, há cerca de 70 homens que não tem mulheres e filhos que poderão sair do alojamento.

"Essa situação [retirada dos não-índios] é uma consequência. Eles vão chegando e se acomodando. Não foi feita uma prevenção para que isso não acontecesse", diz.


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