22 de janeiro de 2018 - 11:26

Economia

10/11/2017 11:20

Mato Grosso e Pará querem chineses na Ferrovia do Vale do Araguaia

BRASÍLIA - Os projetos ferroviários desenhados para dar um fim ao nó logístico que trava o escoamento de grãos do Mato Grosso e do Pará ganharam uma nova promessa. Não se trata da Ferrogrão, prevista para correr ao lado da BR-163, ligando Sinop (MT) a Itaituba (PA). Tampouco se refere à Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que há décadas é esperada para cortar o Mato Grosso de um lado a outro. Com o apoio dos chineses, a nova aposta dos governos do Mato Grosso e do Pará é "Ferrovia do Vale do Araguaia", uma malha de 700 quilômetros que seria aberta ao lado das BRs-158 e 155.

"É um projeto forte e que não sofre interferência dos demais. A região Nordeste do Mato Grosso, de onde a ferrovia sairia, tem hoje cerca de 4 milhões de hectares de terras para ampliação da produção", disse ao 'Estado' o governador Pedro Taques.

A despeito do interesse chinês no empreendimento e assinatura de termos de intenção com governos estaduais, o fato é que o histórico recente dos projetos ferroviários para a região impõe uma grande dose de cautela e ceticismo. Há mais de uma década, discute-se o início de construção da Fico, ferrovia de 1.600 km que cortaria todo o Mato Grosso, ligando Vilhena (RO) a Uruaçu (GO), onde esses trilhos se conectariam à malha da Ferrovia Norte-Sul. Estudos de viabilidade foram concluídos. Processos de licenciamento ambiental foram iniciados. Depois de milhões de reais gastos nessas etapas preparatórias, a Fico continua guardada nas gavetas do Ministério dos Transportes.

Cansadas das promessas revolucionárias da Fico, as tradings de grãos Amaggi, Cargill, Bunge e Louis Dreyfus Commodities reuniram-se para apresentar um segundo projeto, a chamada Ferrogrão, prevista para correr ao lado da BR-163. Dispuseram-se a injetar dinheiro vivo no projeto, bancaram estudos, entregaram um plano detalhado para o governo. Hoje esse é considerado o empreendimento mais maduro para a região, mas a realidade é que já se passaram dois anos desde o início dos estudos e a Ferrogrão ainda não passa de uma ambição de papel.

Terceiro projeto ferroviário do agronegócio, a nova "Ferrovia do Vale do Araguaia" ainda não tem sequer estudos básicos que atestem sua viabilidade ambiental ou econômica. Os custos para lançar trilhos e dormentes nos 700 quilômetros entre Querência (MT) e Redenção (PA) também são uma incógnita. O preço médio das ferrovias, porém, indica que a obra não sairia por menos que R$ 12 bilhões.

São informações que levam o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Campos, a lançar todo tipo de dúvida sobre o projeto. "Infelizmente esse é mais um daqueles projetos mal estruturados, como a tal Ferrovia Bioceânica, que ligaria o Atlântico ao Pacífico. Estamos falando de um trecho sem porto, então seria necessário transbordo. Pode estar certo que não vai dar em nada."

O vice-presidente mundial da CCCC, Sun Ziyu, prometeu que fará uma visita ao Mato Grosso ainda neste ano. A empresa quer construir um terminal privado no porto em São Luís, em parceria com a WPR, braço do Grupo WTorre. Um termo de compromisso foi assinado entre as duas empresas em abril, com previsão de investimento de R$ 1,7 bilhão. "Os chineses estão investindo no País. Foram eles que nos procuraram sobre essa nova ferrovia. Estamos certos de que é um projeto competitivo e viável", diz Pedro Taques.


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