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15/01/2019 20:42 Noticias de Hoje e 24 horas news

Wi-Fi de aeroporto de MT ajudou a achar terrorista italiano Cesare Battisti entenda

O sistema de internet sem fio – o Wi-Fi – do aeroporto de Sinop (a 480 km de Cuiabá) foi fundamental para a descoberta do paradeiro do terrorista italiano Cesare Battisti, preso no último sábado (12), na Bolívia. A informação foi repassada por autoridades italianas ao site "Gli occhi Della Guerra" – em tradução literal, “Olhos de Guerra”.

De acordo com a reportagem italiana, Battisti pegou um voo em dezembro passado para Sinop, com o objetivo de deixar o Brasil e ir para a Bolívia, em razão da eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Isso porque o novo chefe do Executivo federal declarou que não manteria o status de refugiado político ao italiano, como ele era tratado nos governos anteriores. 

"Há um Brasil muito mais difícil, ideológico, anticomunista e ligado ao aparato de segurança. Bolsonaro aposta naquele Brasil contrário a tudo o que representava seus antecessores. Há um sentimento de vingança sem precedentes", narra trecho da reportagem italiana, ao mencionar a necessidade urgente do terrorista em fugir do Brasil antes da posse do atual presidente.

Em dezembro, antes do terrorista embarcar para Mato Grosso, a inteligência e os departamentos de segurança pública da Itália, que há anos tentavam prender Battisti, mudaram a postura para encontrá-lo. Dois oficiais italianos passaram a seguir os rastros do condenado.

“Os dois trabalharam de perto por um longo tempo. Eles vêm de uma carreira feita de difíceis perseguições e caças sem trégua de super-fugitivos. E para alguém como Battisti, acostumado a escapar e, acima de tudo, coberto por anos por uma densa rede de proteção internacional, eram necessários dois homens experientes que pudessem ler os movimentos dele antes que se tornassem realidade”, diz a reportagem do "Gli occhi Della Guerra".

O principal motivo que levou as autoridades italianas a retomar a busca pelo foragido da Justiça foi a eleição de Bolsonaro. Isso porque, para os policiais, ficou evidente que Battisti não teria alternativa, senão fugir do Brasil.
Durante as buscas iniciadas em dezembro, as autoridades conseguiram rastrear o telefone de Battisti, por meio da internet. Porém, dias depois, o sinal do aparelho desapareceu.

A polícia brasileira foi convocada para auxiliar na busca pelo foragido. A residência em que ele morava até então, em Cananeia (SP), foi encontrada vazia quando as autoridades foram procurá-lo. Conforme a reportagem italiana, os vizinhos disseram não ter visto ninguém na residência nos últimos dias.

De Mato Grosso para a Bolívia

Os investigadores italianos relataram ao "Gli occhi Della Guerra" que as investigações apontaram que o terrorista deixou a vila de pescadores em que vivia, na litorânea Cananeia, em direção a Mato Grosso, de onde ele já havia tentado fugir anteriormente.

Apesar de saber a direção, os investigadores não tinham conhecimento da região exata em que o terrorista estava. No entanto, Battisti cometeu um erro, classificado pela reportagem como fatal, em meados de dezembro: por meio do celular, ele se conectou ao Wi-Fi do aeroporto de Sinop, onde embarcou horas depois para La Paz, capital da Bolívia.

“É o erro que todos queriam. A inteligência imediatamente ativa o setor antiterrorismo, que passa a apurar o caso. Então, em 21 de dezembro, a certeza: o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia recebe o pedido de asilo”, diz a reportagem.

Os investigadores permaneceram no encalço de Battisti na Bolívia, por meio do rastreio de cartões telefônicos bolivianos, supostamente usados por ele, que levaram as autoridades a duas pensões nas quais ele teria passado dias.

Novamente, o terrorista desapareceu. A polícia boliviana seguiu os rastros dele, com o auxílio de autoridades do setor de antiterrorismo da Itália.

“A Bolívia não tem intenção de manter Battisti. O ato final é em Santa Cruz de la Sierra. A polícia boliviana o detém, os agentes da Interpol, Aise, Digos e Antiterrorismo se movem: é ele, é Battisti. E agora ele está vindo para Roma, onde a prisão de Rebibbia o espera”, finaliza a reportagem.

O terrorista

Battisti foi condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana, em razão de quatro homicídios. Ele teria cometido os crimes enquanto participava de lutas armadas da extrema esquerda do país europeu. Desde a condenação, ele passou a se exilar em outros países, como França e Brasil.

 
 

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