Policia

07/09/2018 20:02

Juíza estende prisão de agressor de Bolsonaro e diz que ele representa risco à sociedade

Adélio Bispo de Oliveira foi preso em flagrante e agora ficará em prisão preventiva, sem tempo determinado; juíza determinou que agressor passe por atendimento médico.

A juíza federal Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª Vara de Juiz de Fora, converteu nesta sexta-feira (7) a prisão em flagrante do homem responsável por dar uma facada no candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, em prisão preventiva, sem prazo determinado.

A decisão foi tomada após audiência de custódia, que precisa ser feita em até 24 horas após a prisão em flagrante. Nessa audiência, o preso tem a oportunidade de se defender para tentar responder ao processo em liberdade.

Ao negar a soltura, a juíza escreveu que Adélio Bispo de Oliveira representa risco à sociedade.

 

"Necessária, portanto, sua segregação cautelar, para proteger a sociedade como um todo e, até mesmo, sua própria vida, uma vez que Adélio sofreu tentativa de linchamento, que só não foi concretizada em razão da rápida e eficiente prisão e evacuação do acusado para local seguro, garantindo-se, assim, a ordem pública e aplicação da lei penal", afirmou a juíza.

Para ela, o agressor também representa risco à ordem pública, "notadamente se considerada sua periculosidade concreta corroborada pelo modus operandi da conduta, consistente na tentativa de assassinato do candidato por meio de verdadeira emboscada".

A juíza também entendeu que há risco de que ele volte a cometer crimes.

 

"Observo que há, inclusive, notícia nos autos de divulgação do ódio aos ideais defendidos por Bolsonaro, denotando, assim, que se colocado em liberdade apresenta grave risco de reiteração criminosa ao próprio candidato ou a outros."

Adélio Bispo de Oliveira foi preso pela Polícia Militar de Minas Gerais logo após Bolsonaro ser atacado em Juiz de Fora e, segundo a PM, confessou ser o autor da facada no candidato.

 

Insanidade mental e atendimento médico

Na decisão, a juíza afirma que a defesa apontou insanidade mental, mas que isso deve ser informado por escrito no processo e analisado pelo juiz que for tratar do caso.

A magistrada também determinou que Adélio Bispo de Oliveira passe por atendimento médico, uma vez que reclamou de dores durante a audiência.

"Tendo em vista que o custodiado reclamou de dores no corpo durante sua oitiva, determino que passe por atendimento médico junto ao CERESP, antes de sua transferência ao presidio federal."

 

Ele será transferido para o presídio federal de Campo Grande (MS).

 

Observações da juíza

No termo da audiência de custódia, a juíza afirmou que trata-se de "delito grave". "Trata-se de delito grave, que revela profundo desrespeito à vida humana e ao Estado Democrático de Direito, notadamente, a liberdade constitucional de manifestação dos ideais políticos, afetando de forma direta no processo eleitoral."

Na avaliação dela, trata-se de delito "adredemente planejado, tendo sido desferido golpe de faca no abdômen, sem direito de defesa da vítima", o que criou "grande comoção pública". Para ela, não há dúvidas da participação de Adélio.

"Observo que existem imagens do delito, fortes, diga-se de passagem, as quais não deixam dúvida acerca da materialidade delitiva."

A juíza também considerou que as investigações devem prosseguir para identificar se houve envolvimento de outras pessoas e frisou que "até o momento, não (foi) descartado envolvimento politico-partidário".

 


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